Depois da intervenção de Bill Clinton no caso das duas jornalistas punidas pelo regime de Kim Jong-il, busquei algo de relevante sobre o assunto.
Entre umas tantas clicadas, me deparei com um arsenal de cartazes que mais lembram uma estranha versão da "arte realista" dos governos stalinista e maoísta.
O passado e suas troças... Vejam isso!
"Morte aos imperialistas norte-americanos, nossos inimigos jurados!"
"Vamos enxotar os imperialistas norte-americanos e reunificar nossa pátria!"
"Não esqueçam os lobos imperialistas norte-americanos!"
"Os Estados Unidos são o verdadeiro Eixo do Mal."
"Quando falamos que iremos, nós iremos. Não falamos à toa!"
Sempre tenho muito gosto de ensinar as questões políticas que demarcam a República Velha.
Os alunos se mostram bastante interessados nessa contradição de uma democracia que conseguia ser mais excludente que o próprio regime monárquico.
Além das estratégias, conluios e fraudes, sempre existe uma larga possibilidade para se comparar o período com os escândalos de corrupção da política contemporânea.
Bem... como encarei a missão de oferecer documentos para os outros professores e interessados em História, resolvi postar uma belíssima caricatura do período.
Ao lado, vocês ficam com a arte do desenhista Alfredo Storni que, em 29 de agosto de 1905, desenhou literalmente a política do café-com-leite na revista "Careta".
P.S.: Postei uma resolução bem legal para o trabalho com projetor! ;D
No meu tempo de escola, as tias que ensinavam Geografia Política pouco sofriam.
De um lado, haviam os famigerados países subdesenvolvidos que sofriam com miséria, analfabetismo e dívidas externas exorbitantes.
Do outro, as poderosas potências que poluíam o mundo, comiam fast-food e nos vendiam aqueles cobiçados modelos do tênis M2000.
Contudo, os conceitos se reorganizaram, o mundo se transformou e as dualidades que organizavam o mundo passar a perder seu completo sentido.
Agora temos os antigos poderosos (nem tão poderosos assim) e os emergentes (que não vivem a mesma penúria de sempre).
Hoje, uma outra coisa também mudou... os problemas ambientais se tornaram uma questão urgente, inadiável.
Essa seria a hora das nações abandonarem o velho fosso que as diferenciavam e promover as mudanças necessárias para que o mundo continue a ser um lugar possível.
Contudo, os emergentes, que hoje integram o G5, inventaram de adotar o arcaico argumento da minha velha professora de Geografia.
Alegam que precisam derrubar a última "parede podre" da casa para que não corram o risco de serem tão pobres.
Acreditam que isso envolve um critério de justiça, pois foram os poderosos responsáveis pela maioria dos carbonos que acinzentam e aquecem o mundo.
Pelo visto, a antiga lógica dos "humildes x ganansiosos", "ricos x pobres", "exploradores x explorados" acabou se invertendo.
Ou será que ninguém descobriu que a resolução do problema ambiental vai, mais uma vez, reinventar nossos padrões de desenvolvimento e consumo?
Enquanto isso, a ausência de uma resposta fica presa a uma vergonhosa disputa sobre quem vai comer o último salgadinho da bandeja, quem vai terminar de emporcalhar o mundo!